quinta-feira, 19 de outubro de 2017
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Obra de de Los Carpinteros, "Reading Room" (2010)na Fortes Vilaca. Foto: Sara Eckholm
Enquanto Europa e EUA se recuperam da crise financeira, a América Latina mostra sua força emergente. No último mês o Centre Pompidou criou um comitê de aquisições latino-americanas, enquanto a Lyon Biennale apontou uma curadora Argentina, Victoria Noorthroorn para a sua edição de 2011; a Istanbul Biennale teve co-curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa e a ARCO direcionou seu foco às galerias latinas nos próximos três anos.
A Frieze não ficou de fora desta onda e traz na edição atual sete galerias latino-americanas e seus artistas. Muito além da feira, fumantes poderão apagar seus cigarros em cinzeiros assinados por Gabriel Kuri – projeto comissionado pela Frieze, enquanto Damián Ortega (cuja instalação Alma Mater, 2008, está exposta na Kurimanzutto) abre exposição na Barbican e a Stephen Friedman apresenta uma exibição individual de Beatriz Milhazes.
Londres parece um lugar improvável para se vender arte latino-americana – os britânicos tem menos ligação histórica com a América do Sul do que com qualquer outro lugar – mas os galeristas afirmam que o interesse está aumentando. A maior parte desta atividade vem do Brasil, onde a economia está em crescimento. Mais dinheiro significa que mais galerias podem participar de feiras no exterior, colecionadores podem influenciar o mercado e curadores e artistas estão em melhores condições de promover suas obras.
Participam desta edição da Frieze as brasileiras Casa Triângulo, Galeria Fortes Vilaça, A Gentil Carioca, Galeria Luisa Strina e Galeria Vermelho.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
NOTÍCIAS DA BIENAL DE VENEZA
Já a Islândia France's previous representatives in Venice include Annette Messager, who won the biennale's Lion d'Or prize in 2005; Sophie Calle followed in 2007 while Claude Lévêque featured in last year's exhibition. selecionou a dupla Libia Castro e Ólafur Ólafsson, reunida na Holanda em 1997 e que vive e trabalha junto em Berlim. Seu trabalho é carregado de críticas sociais e políticas.
Fonte: The Art Newspaper
ESCULTURA DE ALBERTO GIACOMETTI ALCANÇA VALOR RECORDE EM LEILÃO REALIZADO PELA SOTHEBY'S

A escultura de um homem em tamanho natural, de Alberto Giacometti, tornou-se a mais cara obra de arte vendida em leilão.
A obra L'Homme Qui Marche I (O homem caminhando I), de 1961, alcançou o valor de pouco mais de 65 milhões de libras (US$ 103 milhões, 74 milhões de euros). Considerada uma das mais importantes obras do século XX, a peça levou apenas oito minutos para ser arrematada.
O recorde anterior de venda em leilão era da obra Garçon a la Pipe, de Pablo Picasso, vendida no ano de 2004 em Nova York por 58 milhões de libras (US$ 104 milhões). Outras obras chegaram a mais em vendas particulares: Jackson Pollock's No5 (1948) foi vendido em 2006 e alcançou, na época, US$ 140 milhões.
Imagem: Times Online
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
EXPOSIÇÃO DE CARTAS,DESENHOS E PINTURAS DESNUDA O MITO PARA REVELAR O QUE REALMENTE FEZ ESPECIAL VAN GOGH - A SUA ARTE.
'Still Life with a Plate of Onions', 1889
Oléo sobre tela, 49.6 x 64.4 cm.
Kröller-Müller Museum, Otterlo, The Netherlands
Em cartaz na Royal Adademy of Arts, de Londres, “The Real Van Gogh” tem tudo para atrair multidões. O foco está nas correspondências do artista. Mais de 35 cartas originais, raramente expostas devido à sua fragilidade, fazem parte da mostra, ao lado de 65 pinturas e 30 desenhos que expressam os temas principais a encontrados nestas correspondências.
A intensidade do teor destas cartas ajuda a traçar um perfil perturbado e instável do artista – e por outro lado demonstra que suas obras não são fruto de sua loucura. Suas obras, como sugerem as cartas, foram cuidadosamente planejadas e são resultado de profundas reflexões, assim como os seus escritos.
É uma oportunidade única de se aproximar da complexidade do artista e do seu cotidiano, da vida real de um ícone da pintura. “Meu desejo tem sido sempre pintar para aqueles que não conhecem o lado artístico da pintura”, ele escreve em uma delas.
The Real Van Gogh: The Artist and His Letters
Royal Academy of Arts, Londres, até 18 de abril
O MUNDO MÁGICO DE MARC CHAGALL -GRAVURAS NO MASP

Ao Meio-Dia, o Verão é uma das 178 obras expostas na mostra em cartaz até 28 de março
Depois das gravuras de Goya, chega ao MASP a exposição de Chagall, que reúne 178 obras do artista. Sob curadoria de Fábio Magalhães, a mostra apresenta séries emblemáticas de gravuras – uma das formas de expressão preferidas de Chagall – entre elas as integrais de La Bible (A Bíblia) e Daphnis et Chloé (Dafne e Cloé) , criadas pelo mestre entre os anos 20 e 50.
Outro destaque da mostra é a série Les Fables de La Fontaine (As Fábulas de La Fontaine ), com 23 gravuras, trabalho encomendado pelo marchand e crítico de arte Ambroise Vollard. Chagall produziu, entre 1926 e 1927, cem guaches representativos das fábulas de La Fontaine (1621-1695). As obras foram expostas em 1930 em Paris, Bruxelas e Berlim e, comercializadas, acabaram se dispersando pelo mercado, tornando praticamente impossível a reunião integral da série. Antes de finalizar as gravuras para esta série Chagall recebeu de Vollard o pedido para que realizasse um conjunto que batizaria de La Bible (A Bíblia), com 105 gravuras. O artista trabalhou no tema de 1931 a 1939, quando visitou a Palestina para ver de perto o palco dos acontecimentos bíblicos. A série integral destas obras, aquareladas à mão pelo artista, estão apresentadas agora no MASP.
MASP
Av. Paulista, 1.578, tel. 3251-5644.
Horários: de terças a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às quintas das 11h às 20h.
Ingressos: R$ 15,00. Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e acima de 60 anos.Às terças-feiras a entrada é gratuita para todos.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A SITUAÇÃO DE MUSEUS DE ARTE NO PAÍS É DEPLORÁVEL
Matéria de Marcos Augusto Gonçalves originalmente publicada na Ilustrada da Folha de S. Paulo em 14 de janeiro de 2010.
Para crítico e curador, políticas do Estado brasileiro "refletem estatuto da arte na consciência da elite, que é inexistente"
Crítico, Curador e professor de história da arte, Paulo Sergio Duarte cita o abandono do Museu de Brasília como exemplo da indigência das políticas públicas em relação ao setor e diz que o Instituto Brasileiro de Museus é só "um escritório com diretoria e alguns assessores". Ele vê os museus como "instrumentos indispensáveis para qualquer sistema educacional que se preze" e advoga interação entre essas instituições e universidades.
Pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Candido Mendes, no Rio, Duarte, foi curador da 5ª Bienal do Mercosul (2005) e do Projeto Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, no ano passado. Ele cobra do governo Lula a definição de prioridades e defende que os museus federais sejam centros de excelência e formação técnica. Quanto às mudanças na Lei Rouanet, propõe tratamento especial para investimentos em aquisição de acervos e infraestrutura de museus -hoje preteridos em favor do patrocínio de exposições temporárias.
FOLHA - Qual é a situação da rede de museus do país?
PAULO SÉRGIO DUARTE - É preciso lembrar logo que só vamos falar de museu de arte, a cultura em tão elevado estado de condensação que nós não chamamos de cultura, mas de arte. No caso desses museus, a situação é deplorável. Existem ilhas razoáveis que estão longe de dar um bom panorama histórico da arte no país.
FOLHA - Qual é a responsabilidade do governo nessa situação?
DUARTE - Não é um problema só de governo, este ou passados. A política cultural do Estado reflete o estatuto da arte na consciência da elite brasileira. E esse lugar simplesmente não existe, com raríssimas exceções. Repetindo o que digo há 30 anos: percorrendo, em qualquer uma das duas maiores cidades do país, todos os seus museus, é impossível para um professor dar um curso digno da história da arte do século 20.
Tenho insistido sobre o fato de que neste ano Brasília completa 50 anos. Onde está seu museu de arte? No antigo Clube das Forças Armadas, depois cedido para o Casarão do Samba, e posteriormente transformado no museu de arte. Está lá num prédio interditado, cercado por hotéis de arquitetura pífia. Até aqui, este é o lugar do museu na capital da nação. Eu defendo que se faça um concurso internacional para este museu, como foi feito no Rio para o Museu da Imagem e do Som.
FOLHA - Isso é simbólico quanto à importância que o poder público confere à arte?
DUARTE - Isto não acontece por mero acaso no país no qual sobra dinheiro para malas em automóveis e aviões de pastores evangélicos, fraldas de dólares debaixo das calças de cabos eleitorais e até nas meias de deputados. Qual pode ser o estatuto da arte nesse lugar? Como acreditar que a arte é um conhecimento específico, muito importante para compensar os efeitos da indústria cultural, e formar um olhar crítico no cidadão se, na capital do país, é tratada de modo tão lamentável?
FOLHA - Como você vê a atuação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), criado pelo governo?
DUARTE - Por enquanto, é um escritório com uma diretoria e alguns assessores.
FOLHA - Como ele deveria se estruturar?
DUARTE - Os museus são, antes de tudo, equipamentos necessários à formação de cidadania e um instrumento indispensável de qualquer sistema educacional que se preze. Com as tarefas enormes e com o alarme de emergências tocando todo dia, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, não pode dar a devida prioridade aos museus.
Parodiando Carl von Clausewitz, na sua frase que já se tornou clichê: os museus são importantes demais para ficar nas mãos de museólogos. Os acordos e convênios com universidades e institutos de ensino e pesquisa nas diversas regiões do país poupariam da inchação o quadro de pessoal do Ibram.
Acredito que, para o primeiro mandato do presidente Lula, estava correta a política do Ministério da Cultura de prospecção do campo realizada pelas consultas a câmaras setoriais, reuniões e estímulos à participação. Mas já é tempo de ter focos precisos, prioridades de efeitos multiplicadores. Acima de tudo, as instituições federais têm de ser centros de excelência e de formação técnica.
FOLHA - Que prioridades?
DUARTE - Por exemplo, os projetos educativos dos museus devem priorizar a formação de professores e secundariamente se voltar para o cidadão comum. As visitas de turmas de alunos de escolas e colégios devem estar sempre programadas como trabalhos práticos de professores preparados pelos próprios museus em programas de convênios com as secretarias de educação. Os programas educativos para professores devem estar voltados para os docentes de todas as áreas, e não apenas para aqueles de arte e educação artística. Só desse modo fará sentido a divulgação dos números de visitação de alunos; por enquanto servem para a satisfação demagógica e a prestação de contas a departamentos de marketing de patrocinadores.
FOLHA - Em relação a museus, o que deveria mudar na Lei Rouanet?
DUARTE - Eu considero que deveria haver mais estímulo fiscal aos investimentos em infraestrutura dos museus e aquisição de acervos do que para exposições temporárias. Não se trata de acabar com o estímulo às exposições e sua documentação em catálogos. Mas a aquisição de obras e publicações que exigem longas pesquisas e não estão vinculadas a um evento temporário mereceriam receber tratamento diferenciado. O mais grave, segundo li na Folha [Ilustrada, 24/11/09], é o governo querer disciplinar ou mesmo proibir a remuneração dos profissionais contratados para dirigir museus ou instituições culturais que adquiriram um estatuto autônomo, como organizações sociais. É um estímulo ao pior amadorismo ou a uma péssima elitização das direções das instituições: só ricos, pessoas que não vivem do que fazem, poderão ocupar essa direção, ou funcionários mal remunerados.
FOLHA - Que lições devemos tirar do incêndio que destruiu parte importante da obra de Hélio Oiticica?
DUARTE - A primeira lição é que não se deve nunca dispensar uma consultoria de risco indicada por uma boa empresa de seguros para qualquer edificação que for armazenar acervos preciosos. Mais do que isso: uma das cláusulas ao uso das leis de incentivo à cultura para instituições que preservam acervos seria a realização prévia da consultoria e o financiamento, pela própria lei de incentivo, da execução de todas as medidas técnicas que sejam recomendadas.
Acho que quem primeiro deveria dar esse exemplo é o próprio Ministério da Cultura, realizar essa consultoria em cada uma das instituições sob sua responsabilidade. A verdade é que em muitos casos nem as normas estabelecidas pelos Bombeiros são cumpridas.
FOLHA - Se compararmos arte contemporânea, mercado e instituições do Brasil com arte contemporânea, mercado e instituições de países mais avançados, quais são os principais descompassos?
DUARTE - Temos atualmente uma excelente produção de arte, reconhecida, antes de tudo, por importantes instituições e coleções estrangeiras. Nossas instituições apresentam os mesmos descompassos que existem para outras áreas, a começar pelo sistema educacional: quais são os descompassos que existem entre os sistemas educacionais brasileiro, japonês, alemão, americano, francês e inglês, por exemplo?
Nossas instituições de arte estão para as instituições desses países assim como [estão] nossa educação e nossos serviços de saúde. Quanto ao mercado, me parece que amadureceu muito, nos últimos 20 anos, em São Paulo; se estrutura no Rio e em Belo Horizonte, mas depende exclusivamente de colecionadores particulares. As instituições públicas não têm recursos regulares para aquisições.
FOLHA - E as doações?
DUARTE - Dou um exemplo. A diretora do Museu Nacional de Belas Artes declarou que recebeu em poucos anos milhares de doações. O número publicado chegava a dezenas de milhares, embora isso possa ter sido um erro tipográfico. Mas, se é verdade, é evidente prova do elevado grau de indigência que conduz a política cultural de artes visuais. Integrar o acervo do Museu Nacional de Belas Artes deve ser privilégio reservado às obras de artistas que constituem um patrimônio do povo brasileiro e cuja fruição vai efetivamente formar o olhar do cidadão no campo da arte.
Visite-se a sala de arte moderna e contemporânea do museu e ver-se-á que, além das inúmeras lacunas, existe quase sempre a inversão de valores: quanto menos importante o artista mais espaço ocupa sua obra. É uma aula completa do que não deve ser feito.
MULHER CAI E RASGA QUADRO DE PICASSO EM NOVA YORK
Um importante quadro do pintor espanhol Pablo Picasso foi danificado quando uma mulher perdeu o equilíbrio e caiu sobre a obra durante uma aula de arte no Museu Metropolitan, em Nova York, na última sexta-feira.
O acidente deixou um rasgo de cerca de 15 centímetros de comprimento no canto inferior direito da tela O Ator, pintada no inverno entre 1904 e 1905, e marca a transição do trabalho do artista da chamada "fase azul" para a "fase rosa".
"Felizmente, o estrago não ocorreu no ponto focal da composição, e nossos especialistas em curadoria e preservação acreditam que o conserto não será difícil", diz um comunicado do museu.
A pintura deve seguir como um dos destaques da exposição Picasso no Museu de Artes Metropolitan, marcada para ocorrer entre 27 de abril e 1º de agosto.
Picasso pintou O Ator em uma tela de 1,80m x 1,20m - um tamanho grande para seus padrões, em cima de outra pintura. A obra retrata um acrobata posando diante de um fundo abstrato.
O museu não revelou a identidade da mulher envolvida no acidente nem divulgou imagens do quadro danificado.
sábado, 23 de janeiro de 2010
THE TIMES ELEGE DAMIEN HIRST O HOMEM DA DÉCADA NAS ARTES VISUAIS

Hirst dominou a cena britânica da última década, desde que saiu da obscuridade e conquistou o mercado mundial das artes. Aproveitando-se do boom financeiro global, saiu das pinturas produzidas em massa até chegar ao crânio cravejado de diamantes, obra que alcançou a cifra de £50 milhoes e foi disputada acirradamente pelos compradores. Depois, mesmo com a crise, manteve-se impávido, e quando o estardalhaço passou, seu nome voltou ao ápice - e a tendência é a de permanece ali. Fonte: The Times
FUNDACIÓ JUAN MIRÓ - NOVIDADES

A Fundació Juan Miró está acrescentando 17 novas obras originais em papel, produzidas entre 1931 e 1953, emprestadas pela família Miró, para complementar a sua exposição permanente.
Ao longo dos anos, papel de todos os tipos foi o material mais frequentemente usado por Miró, desde lixa e papelão ate jornais e outros impressos. Sua produção artística neste meio foi inovadora e ousada. Além disso, o resultado imediato do trabalho em papel permite um olhar mais próximo ao método do artista.
Entrada gratuita todas as quintas-feira, entre 18 de Fevereiro e 25 de março
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
RECORDE EM LEILÕES EM 2009

Ao término de todas as grandes vendas em leiloes de 2009, o desenho em pastel “Head of a Muse”, de Raphael, destacou-se por alcançar o maior valor em lote único do ano. O desenho de 1511 foi vendido este mês na Christie's de Londres por US$ 47,5 milhões. A venda superou o recorde anterior de US$ 45,6 milhoes de um Matisse, que fazia parte da coleção de Yves Saint Laurent.
Entre os modernos, Andy Warhol alcançou o topo com a obra “200 One Dollar Bills”, de 1962, vendido por US$ 43,8 milhoes em novembro, mais de três vezes mais do que o valor pré-estimado de US$ 12 milhoes e mais de cem vezes mais do que o valor pago pelo proprietário original em 1986.
Notícia extraída do site www.bloomberg.comsegunda-feira, 14 de dezembro de 2009
NO MUNDO DAS ARTES, DOAR AINDA É UM PROBLEMA
Matéria de Camila Molina originalmente publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 3 de dezembro de 2009.
Autoridades no assunto discutem os impasses na hora de renovar acervos
No ano passado, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP renovou seu acervo com um conjunto de 40 obras do fotógrafo mexicano Pedro Meyer, pioneiro da fotografia digital há quase 30 anos. Para adquirir as obras, pagou uma taxa simbólica de US$ 1 mil e ainda contou com patrocínio de uma empresa de impressão de imagens. Criou-se, até mesmo, certo problema na alfândega quando as dezenas de peças chegaram ao Brasil "compradas" por um preço tão baixo. Na verdade, tudo não passou de uma estratégia conjunta entre o MAC e o artista para que as imagens, enfim, ajudassem a preencher a lacuna de fotografias contemporâneas do museu - os recursos eram para despesas de transporte, como diz a vice-diretora da instituição, Helouise Costa. "Da década de 1980 até hoje, quando a USP decidiu não mais dar verba para aquisição, apenas para manutenção, o MAC depende de doações."
Se alguém pensa que é fácil doar e receber obras de arte, o exemplo acima mostra que não é bem assim. No Brasil, este não é um problema específico apenas de um museu. Como as regras e as políticas de aquisição de obras para instituições ainda se firmam no País, os museus, sem verba para a compra de peças artísticas, têm de esperar a boa vontade de colecionadores ou dos próprios artistas que querem doar suas obras.
"Em termos genéricos, política de aquisição existe, mas é uma complicação", diz o curador-chefe do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Teixeira Coelho. Respeitando a vontade de anonimato de um colecionador, ele cita um exemplo recente vivido pela instituição: um colecionador queria ceder ao Masp a obra de um artista moderno estrangeiro, comprada no exterior, mas os impostos cobrados pela Receita Federal não faziam valer sua boa vontade. "Ou se concorda em isentar as doações de tantos impostos ou o museu tem de arcar com os impostos e, nesse caminho, quase sempre o doador desiste", diz Teixeira Coelho, que defende uma "ação concertada" entre os ministérios da Cultura e da Fazenda. "Todo mundo quer cultura, mas não quer pagar por ela", continua o curador, ainda emendando que há outro entrave: como hoje as obras de muitos artistas brasileiros se equiparam às de estrangeiros - uma peça do escultor Sérgio Camargo (1930-1990) de 1964 foi vendida recentemente em Nova York em leilão da Sotheby"s por US$ 1.594.500 -, "as pessoas pensam mil vezes antes de doar uma obra".
Hoje pela manhã, ocorre no Museu de Arte Moderna do Rio uma reunião solicitada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, com diretores de instituições nacionais e representantes do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) justamente tendo como tema a política de aquisição de acervos. Trata-se de uma continuidade de discussões sobre a questão, alavancada, ainda, pelo episódio do incêndio de obras de Hélio Oiticica (1937-1980) e de seu pai, o fotógrafo José Oiticica Filho (1906-1964), ocorrido em outubro, na casa da família dos criadores, no Rio - as peças deveriam estar em uma instituição, mas como familiares podem ceder as criações aos aparatos museológicos? "Desde 2003 há um edital do Ministério da Cultura de modernização de museus, que permite aquisição de obras, mas poucas instituições usam porque, primeiro, necessitam da qualificação das reservas técnicas. Nossa intenção é que tenhamos um edital específico de R$ 10 milhões para aquisição de acervo, via Petrobrás ou ministério", diz José do Nascimento Jr., do Ibram.
Outras propostas de estímulo à doação/cessão são a de lei do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) de dedução de 6% do Imposto de Renda do valor de obras de arte doadas (leia ao lado) e o anteprojeto de Michel Etlin (Associação Nacional das Entidades Culturais Não-Lucrativas) também de incentivo fiscal para patrimônio de herança - e pode-se citar ainda os editais da Caixa Econômica Federal e da Funarte, ambos da esfera federal. "Governos estaduais e municipais também têm de adquirir", diz Nascimento.
Apesar de as instituições terem seus conselhos consultivos para decidir se a obra tem relevância para entrar no acervo do museu - e "a maioria não é aceita, é um ônus para a instituição", como diz Helouise Costa -, a doação é a principal fonte de aquisição. Mas esta é uma época diferente das décadas de 1940 e 50, quando figuras como Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand doaram suas coleções preciosas para criação do MAC e Masp. Já houve casos notáveis, como o da tela Banhista Enxugando o Braço Direito, de Renoir, que foi cedida em 1948 ao Masp por uma lista de nada menos do que 26 doadores. Era a sociedade se mobilizando em nome da arte.
Dois Mecanismos:
DOAÇÃO: Obras doadas por artistas ou por terceiros têm sido o principal mecanismo de entrada de peças nos acervos dos museus, já que não há verbas específicas nas instituições para compra de obras. Mesmo assim, como diz Teixeira Coelho, as doações "existem a conta-gotas", grande parte delas, de obras sobre papel, que têm preços reduzidos. Para colecionadores, um entrave criado são os impostos cobrados pela Receita Federal.
LEI ROUANET: O uso de patrocínio por meio da lei de incentivo ainda é pouco utilizado pelas instituições, dado, entre um dos motivos, pelas exigências do Ministério da Cultura para a aprovação dos projetos de aquisição. "Nem sempre as instituições têm claro o que querem", diz José do Nascimento Júnior, do Ibram. O MAC, por exemplo, teve seus projetos recusados, mas o MAM e a Pinacoteca vêm tendo uma entrada razoável de obras em suas coleções por meio de patrocínio de empresas - o caso de maior vulto ocorreu no ano passado, quando as duas instituições receberam R$ 2 milhões do banco Credit Suisse para compra de obras. Parcerias de instituições com as feiras SP Arte e Pinta/NY têm sido também fonte.
Destaques De Aquisições Recentes:
MAM- SP: Em 2009 entraram para o acervo da instituição75 obras, entre doações feitas por artistas, por terceiros, por intermédio dos Clubes de Colecionadores de Fotografia e de Gravura do museu e por patrocínio de empresas. Entre as aquisições, estão obra da década de 1950 da pintora concretista Judith Lauand, a única mulher que participou do Grupo Ruptura; a instalação Pic Nic (2000), de Marco Paulo Rolla; duas gravuras de Arthur Luiz Piza de 2009 e uma de Mira Schendel, de 1975; as cadeiras Harumaki, Golfinhos e Tubarões e Cone, dos irmãos-designers Fernando e Humberto Campana; um conjunto de cinco trabalhos realizados entre 1968 e 1975 por Antonio Manuel - Clero Define Situação, Sem Repressão Há Ordem; Contra Repressão, Guerra do Consumo/Vampiro Insaciável e Povo; além de obras fotográficas de Adriana Varejão e gráficas de Albano Afonso e grande núcleo de 24 peças de Luiz Guardia Neto, a maioria delas, da década de 1970. O MAM já teve aprovado pelo Ministério da Cultura seu plano de aquisição para 2010, no qual as telas Dados (R$ 250 mil) e Andamento I (R$ 750 mil), ambas da série dos Carretéis, de Iberê Camargo - segundo Felipe Chaimovich, não há obra do pintor no acervo do museu.
MASP: Fazendo uma comparação entre a arrancada de doações que o museu recebeu em sua implantação, movimento ocorrido principalmente até o fim da década de 1950, o Masp teve um declínio grande de entrada de obras em seu acervo, amplo, diga-se de passagem (tem cerca de 7 mil obras). Em 2009 entraram para a coleção da instituição apenas seis (!) peças: dois trabalhos sobre papel e um óleo sobre tela de Niobe Xandó, uma armadura do século 19; uma tela de Nelson Screnci - Metamorfose de Excluídos; e Natureza Morta com Relógio, óleo e têmpera sobre tela e madeira de Leo Contini. Todas as obras foram doadas. Mas vale citar como obras adquiridas recentemente o desenho Cavaleiro (1940), de Salvador Dalì - no ano passado; a tela Cena Mitológica (1498), atribuído a Guercino - em 2006; e a instalação Apartamento, de Regina Silveira - doada pela artista em 2007.
PINACOTECA: EM 2009, o museu teve 66 obras adquiridas, sendo 15 pela doação do Credit Suisse (trabalhos de Daniel Senise, Rosangela Rennó, Beatriz Milhazes, Valeska Soares, Carmela Gross, Efrain Almeida, Carlos Zilio, Ivan Serpa, Marepe e Caetano de Almeida; 49 com articulação de verba do Governo do Estado de São Paulo - entre elas, conjunto de gravuras de Fayga Ostrower e Anna Letycia; 1 pintura, Casario (1946), de Iberê Camargo, doação Associação dos Amigos da Pinacoteca; e 1 escultura em madeira de Amilcar de Castro, por meio de edital da Funarte.
MAC-USP: A instituição teve 20 obras doadas incorporadas em seu acervo este ano: três do artista Alex Flemming; a instalação Árvore do Desejo, de Yoko Ono; sete gravuras de Renina Katz, realizadas pela gravadora entre 2002 e 2003; e nove serigrafias e litografia de Claudio Tozzi, dos anos 1970 e 1990.
Projeto de lei
Foi aprovado no dia 4 de novembro um projeto de lei que abre a possibilidade de os doadores de obras de arte deduzirem de seu Imposto de Renda até 6 % do valor da doação. Quem aprovou foi a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e o projeto (número 2764/08) é de autoria do deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR). Haverá uma restrição: para acionar o desconto no IR, essas obras devem ser cedidas a instituições que façam parte do Sistema Brasileiro de Museus. O projeto deve ainda passar pela Comissão de Finanças e Comissão de Justiça, processo que Vanhoni acredita ocorrer até no máximo no primeiro semestre de 2010.
"Isso dá um estímulo tanto para quem é pessoa jurídica quanto física. Às vezes, na casa de alguém tem um quadro ou uma obra, mas essa pessoa é herdeira e nem tem relação ou aprecia aquele trabalho que deveria estar melhor cuidado em acervo público", diz o deputado. O valor de 6%, segundo Vanhoni, se deu diminuindo pela metade a média das alíquotas de IR que variam entre 15% e 25%. "Senão a área de finanças e arrecadação do governo não aceitaria a proposta."
O estímulo foi visto como positivo para a maioria dos entrevistados pelo Estado, mas Emanoel Araújo, do Museu Afro Brasil, acredita que seja pouco. "Deveria ser de 50%."
DIRETORES DE MUSEUS DESABAFAM
Matéria de Roberta Pennafort originalmente publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 4 de dezembro de 2009.
Reunião ontem com o ministro Juca Ferreira, para discutir renovação de acervos, virou um fórum repetitivo de reclamações
A criação de um fundo permanente para a manutenção de museus, o investimento em aquisição de acervo e a possibilidade de instalação de centros de reserva técnica pelo País foram os pontos principais tratados no encontro que o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o diretor do Instituto Brasileiro de Museus, José do Nascimento Junior, tiveram ontem, no Museu de Arte Moderna, no Rio, com cerca de 40 representantes de instituições, artistas e curadores. O foco inicial era a compra de acervos, mas, diante da complexidade dos problemas por que passam os museus brasileiros, de vazamentos de água em seus prédios à falta de público (menos de 10%da população brasileira já foi a um museu pelo menos uma vez na vida), a reunião, que durou três horas, acabou tocando em outros temas que preocupam a todos os envolvidos no setor.
Não são questões novas, como colocaram artistas e curadores, e conforme reconheceu o ministro. "Sempre surge uma sensação de dèja vu. Um golpe de mão seria mais rápido, mas não teria legitimidade", disse Ferreira, ao citar outras reuniões em que se discutiram os mesmos problemas e se fizeram propostas semelhantes para resolvê-los. O ministro, que anotou o que foi falado, assim como Nascimento, disse que espera ter um documento com as diretrizes para a criação de um fundo para os museus, que entraria no escopo da nova Lei Rouanet, até "março, abril ou maio" do ano que vem. A ideia é que se envie ao Congresso antes das eleições, de modo a garantir sua sobrevida. Tudo vai depender do orçamento do Ministério - Ferreira espera a confirmação do aumento para 1% do orçamento federal até o fim deste ano (hoje é de 0,6%, sendo que o sonho é se chegar a 2%; o entrave é que "a área econômica continua pensando a cultura como gasto, não como investimento", ele lamentou).
Dois pontos cruciais que marcaram as intervenções foram a preservação e a visibilidade da arte no Brasil. Uma proposta interessante defendida tanto pelo curador Marcio Doctors quanto pelo artista plástico Carlos Vergara é a criação de reservas técnicas que guardem obras que não pertençam efetivamente a museu algum, mas que possam ser disponibilizadas para públicos de várias cidades.
"Tenho dúvidas com relação ao modelo atual de museu. Neste momento, deveríamos pensar muito mais em um esquema de reservas técnicas abertas que contemplem um pensamento em rede, onde seria desaguada a produção atual e que tenham condições mínimas de preservação", sugeriu Doctors. "Deveria haver um acervo nacional de arte contemporânea em Brasília. Eu não estou falando de um museu do Niemeyer, mas um galpão mesmo", disse Vergara. Ele também defendeu que o governo subsidie o acesso aos museus, lembrando que sua exposição, no MAM do Rio, custa R$ 8.
Ferreira disse que queria ter feito a reunião há um ano e meio, mas desistiu da intenção inicial, de promover uma conversa conjunta também com galeristas, marchands, artistas e museus públicos e privados, porque percebeu que seria muito difícil chegar a qualquer consenso. O incêndio que, em outubro, destruiu parte da obra de Hélio Oiticica, guardada por sua família no Rio, antecipou o encontro. Ele ressaltou a necessidade de se trabalhar junto com o Ministério da Educação para qualificar os quadros técnicos dos museus, encorpando-os "conceitualmente". Concordou, em vários momentos, que é preciso avançar muito.
"A situação brasileira é muito precária. Não há um sistema que de fato dê conta dessa complexidade, mesmo dentro dos aspectos mais elementares, como a preservação física dos acervos. Não adianta a gente se mobilizar, num espasmo de consciência, quando acontece um acidente", disse. Ferreira anunciou que o orçamento do Ibram, instituído no início deste ano, crescerá em 2010 de R$ 45 milhões para R$ 70 milhões.
À tarde, o ministro anunciou o lançamento de dez editais junto com a Petrobras, no valor de R$ 29,3 milhões, a serem investidos em projetos de artes visuais, restauro de filmes e design, entre outras áreas. Os recursos serão disponibilizados graças aos lucros altos obtidos pela empresa.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
KUSHO - ESCREVER NO CÉU UMA ARTE POUCO CONHECIDA

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Kusho é uma palavra japonesa que significa literalmente "escrever no céu". Melhor: enquanto que ku quer dizer céu, a palavra sho designa tanto caligrafia, como escrita e manuscrito. O significado final da palavra fica a cargo da interpretação de cada leitor. No entanto, kusho é também o nome da nova série de fotografias do japonês Shinini Maruyama a que o autor atribui uma forte carga filosófica.
Sendo um fotógrafo multifacetado, Maruyama já trabalhou em diversos campos, tendo-se dedicado à captura de paisagens pitorescas do mundo japonês no início da carreira. Trabalhou em publicidade na Hakuhodo Photo Creative e mais tarde publicou dois livros que reportavam a vida quotidiana tibetana e a sua cultura. Há cinco anos interessou-se pelas técnicas e características formais da Fotografia. É neste quadro que surge a colecção "Kusho".
À primeira vista as fotografias deste trabalho podem parecer sem sentido ou com pouca criatividade. Contudo as 23 imagens das séries Kusho têm subjacente um forte conceito que o autor explica.
Representando a interacção entre tinta preta e água em superfícies brancas ou no ar, Maruyama capta imagens irrepetíveis: os milésimos de segundo exactos antes dos dois líquidos se fundirem em cinzento, que permitem ver em detalhe os processos físicos e químicos invisíveis a olho nu. O timing perfeito na captura das imagens é conseguido através de avanços recentes na tecnologia da luz estroboscópica: há fotografias que têm uma velocidade de obturação de 1/20 000 de segundo.
Jogando com o aleatório, o conceito japonês wabi-sabi está por detrás da ideia desta sessão fotográfica, significando a beleza das coisas imperfeitas, efémeras e incompletas. A própria escolha da palavra foi cuidadosa. Enquanto que ku explora o abstracto e nos leva para o campo ideal da representação como forma de ausência radical, o sufixo sho alude à escrita, porque a fotografia é também expressiva e comunica sempre qualquer coisa. Nas palavras do autor, mais que um espelho com memória este meio pode ser uma experiência conceptual, abstracta e espiritual.





